O Nubank, a gigante do setor financeiro digital que redefiniu a relação dos brasileiros com os bancos e por anos abraçou a flexibilidade do trabalho majoritariamente remoto (o Nu Way of Working – NWW), anuncia uma mudança de rumo estratégica: a transição para um modelo de trabalho híbrido a partir do segundo semestre de 2026. A decisão, comunicada pelo fundador e CEO David Vélez, marca um novo e importante capítulo na trajetória da fintech e repercute em todo o mercado de tecnologia, sinalizando o fim de uma era de trabalho quase totalmente virtual.
Apesar de ter prosperado e atingido a marca impressionante de 122 milhões de clientes e lucros recordes sob o regime de home office, o executivo apontou que o modelo 100% remoto começou a gerar o que chamou de “custos invisíveis”. A mudança visa, principalmente, fortalecer a cultura da empresa, acelerar a inovação e recalibrar a excelência operacional. Vélez argumenta que as maiores inovações do Nubank nasceram da colaboração presencial e que, embora o trabalho remoto otimize a conveniência individual, ele pode comprometer a produtividade coletiva, a urgência e a coordenação, que se beneficiam dos encontros no escritório.
A transição será feita de forma gradual e planejada para os cerca de 9.500 funcionários da empresa. O modelo NWW atual será mantido durante o primeiro semestre de 2026. A partir de 1º de julho de 2026, os funcionários deverão comparecer ao escritório por um mínimo de dois dias por semana. Em uma segunda fase, a partir de janeiro de 2027, a presença obrigatória passará a ser de três dias por semana. O Nubank está dando um prazo de oito meses para a adaptação e planeja uma expansão significativa de seus escritórios em cidades estratégicas como São Paulo, Cidade do México, Bogotá, Campinas (SP), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ). A empresa também ofereceu auxílio-realocação para funcionários elegíveis que precisarem se mudar para mais perto de seus escritórios designados, demonstrando um compromisso em apoiar a sua equipe nesta nova jornada. Exceções serão feitas para algumas funções específicas que exigem pouca ou nenhuma interação com outras equipes e poderão manter a flexibilidade remota.
A decisão do Nubank reflete uma tendência global no setor de tecnologia, onde grandes corporações buscam um equilíbrio entre a flexibilidade do remoto e os benefícios da colaboração presencial para impulsionar a inovação e o senso de comunidade. O movimento da fintech é um termômetro importante e certamente influenciará a discussão sobre o futuro do trabalho em toda a América Latina.
